terça-feira, 29 de julho de 2014

Objetos circumpolares: sempre por aí!

Chamam-se circumpolares os objetos astronômicos que apresentam seu movimento celeste aparente ao redor do polo celeste (norte ou sul), e que estão sempre acima do horizonte, independentemente do horário e da data. Embora não possamos nos esquecer que só podem ser vistos à noite, é claro!

A quantidade desses objetos depende da latitude do local de observação, sendo maior quanto mais próximo dos polos encontra-se o observador.

Vejamos uma imagem do céu a partir da cidade de São Paulo:

StarryNightImage
Imagem do céu noturno em São Paulo, SP, Brasil. (Fonte: StarryNight Pro.)

A circunferência vermelha delimita a região circumpolar nessa latitude, e a linha branca na parte inferior da imagem representa o horizonte. Podemos perceber que algumas constelações estão inteiramente contidas no interior da circunferência: Octans (Octante), Mensa (Montanha da Mesa), Chamaeleon (Camaleão) e Apus (Ave do Paraíso). Já as constelações Musca (Mosca) e Volans (Peixe Voador) têm a maior parte de suas áreas na região circumpolar. Outras estão por ali também, mas com a maior área localizada fora dela.

Acompanhando o movimento aparente do céu, notamos que tudo o que se encontra na região circumpolar é sempre visível (infelizmente, não durante o dia, embora possamos simular como seria se não houvesse atmosfera).

Grande Nuvem de Magalhães (LMC). (Fonte: StarryNight Pro.)
Grande Nuvem de Magalhães (LMC). (Fonte: StarryNight Pro.)
Pequena Nuvem de Magalhães (NGC 292). (Fonte: StarryNight Pro.)
Pequena Nuvem de Magalhães (NGC 292). (Fonte: StarryNight Pro.)

Em São Paulo, há dois objetos circumpolares bem interessantes que podem ser observados com o uso de um telescópio: a Grande Nuvem de Magalhães (LMC), que se localiza na constelação Dorado (Dourado), e a Pequena Nuvem de Magalhães (NGC 292), localizada na constelação Tucana (Tucano). Há também um aglomerado globular (NGC 104) próximo a NGC 292.

Infelizmente, não há no hemisfério sul uma estrela visível que se localize exatamente no polo sul celeste. Há, porém, uma técnica bem simples para encontrar, aproximadamente, esse ponto. Basta procurar a constelação Crux (o nosso Cruzeiro do Sul) e, mentalmente, replicar o braço maior da cruz 4,5 vezes. Isso mostrará, mais ou menos, a localização do polo celeste. Há métodos um pouco mais elaborados, porém isso é tema para um outro post.